Parece Déjà vu. Parece que você precisa. Parece não, é uma certeza. E você precisa fazer isso agora. Antes que o mundo pese sobre seus ombros. Antes que você vire gente de verdade.
Certo, você já nasceu gente. Se acha mais gente que muita gente. Mas você não é. Nem mais, nem menos.
Essa foi uma introdução caótica para um projeto de paz e satisfação.
Após alguns anos praticamente sem férias, trabalhando 8 horas ou mais por dia, fazendo propaganda, falando de propaganda com todo mundo que fala sobre, escrevendo sobre propaganda neste blog, vivendo propaganda há mais de 8 anos, decidi fazer uma pausa. Não porque o número 8 deitado seja o infinito, mas porque pensar é preciso. E antes que essa possibilidade de pensar não seja mais uma opção, acelerei.
Posso me arrepender de dizer isto, principalmente se quiser voltar a trabalhar na área, mas o fato é que a publicidade tem me embrulhado o estômago. Cada dia chega mais gente querendo criar, escrever, layoutar, atender e planejar propaganda. E 70% são profissionais medíocres, querendo se juntar a um mundo de gente leiga ocupando postos importantes na nossa "indústria".

Saí da faculdade movido a novidades, com sede de inovação, aflito por mais conhecimento, por técnicas mais eficazes de redação publicitária, por ideias realmente vendedoras. E me deparei com um mercado caquético, subnutrido. As empresas querem coisas novas, querem superar a concorrência, e as agências querem ajudar. Mas, apesar, todavia, entretanto, a mão nem tão invisível da ignorância que se acha demais, interpela o novo.
Gente que diz fazer, acontecer, twittar e enlouquecer, faz mais vender a si próprio do que um planejamento que tenda ao palpável, ao rentável.
Se não conseguem inovar, que façamos como nossos antepassados: ilustrações belas, com textos explicativos lindamente escritos. Façamos o bom e velho Alltype. Mas sem forçar modismos inatingíveis, sem passar rasteira na qualidade, sem ultrapassar a fronteira da ética e do bom gosto. Aqui no blog há muito tempo exponho e crítico tal tendência. Mas o nó é muito mais embaixo. Ler este desabafo pode te ajudar a compreender.
Por isso estou pulando fora. Não digo que não voltarei. Talvez volte pilhado, ligado e motivado. Simplesmente vidrado em fazer propaganda de qualidade. Talvez volte pensando em enveredar pra novas áreas dentro da publicidade, do marketing e da comunicação em geral. Talvez volte para trabalhar com RH, ou com um projeto audacioso para vender camarão na Praia do Futuro. Talvez eu nem volte.Mas afinal, pra onde eu vou?
http://voltaremosvivos.blogspot.com/
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A sua visão sobre o mercado é a mesma que eu tenho, por isso adorei o seu texto. Estou passando por isso também, gostaria de compartilhar seu texto com meus alunos. Posso publicá-lo no meu Blog? Claro, com os devidos créditos. Sou professor universitário.
ResponderExcluirRola? Obrigado!
gay
ResponderExcluirRodrigo, espero que seus alunos vejam meu pessimismo como um estímulo pra reverter mesmice do mercado. Abraço.
ResponderExcluirMuzzi Travesti.
ResponderExcluiracho que eu seria mais agressivo e desaforado se fosse escrever um texto sobre o mesmo tema... de qualquer forma eu penso as mesmas coisas e compartilho dessa frustração também. publicidade #fail
ResponderExcluir[...] Do caos ao… [...]
ResponderExcluirEssa publicidade tradiconal citada por você deixou de ser efetiva há algum tempo. Não basta sair da faculdade criando alguns trocadilhos ou pintando no paint que você será feliz.
ResponderExcluirTudo se conquista sempre com muito trabalho. É preciso tirar o rabo da cadeira e fazer.
Sei que você voltará empolgado, pois existe uma costela do Olivetto dentro de você.
Abraços e boa viagem.
Rogério, realmente tem muita coisa boa. Storytelling, principalmente pela internet, esta aí pra provar isso. Tem muita gente fazendo coisa legal e tal, mas está longe de ser maioria. A massa mesmo só conhece propaganda da Sorriso e da Fininvest no Faustão.
ResponderExcluirA carapuça do Paint e dos tracadilhos me serviu, hahaha.
Não sei se tiro a costela do Olivetto. Isso de tirar costela não deu lá muito certo pro Adão.
Concordo plenamente com o Rogério.
ResponderExcluirMesmo assim, curti o texto e acredito que essa mudança já começou e o seu texto dá continuidade a ela.