segunda-feira, 8 de junho de 2009

Festival Mundial de Publicidade de Gramado 2009 - II

Chegou ao fim mais um Festival. (oficial).

Nunca ganhei tão poucos brindes. Além de jornais bobos, a única coisa que faturei foi uma fatia de marshmallow. Foi-se o tempo em que patrocinadores distribuíam revistas e brindes como bonés, chaveiros e broxes. Nem a capanguinha (sacola, porta-coisas, bolsa) do Festival em peguei, e por um simples motivo:

EU NÃO FIZ INSCRIÇÃO.

Isso mesmo. NÃO PAGUEI UM CENTAVO PARA PARTICIPAR DO EVENTO. Nas edições de 2003 e 2005, ainda estudante, ainda mais quebrado, paguei o montante exigido pela inscrição, ganhei bolsinha, bloquinho, canetinha e todos esses brindezinhos vagabundinhos, mas tive que assistir muitas palestras em pé, enquanto colegas que sabidamente não tinham se inscrito se esbaldavam nas cadeiras e festas do evento.

E é por isso que o Brasil não vai pra frente. Por essas atitudes baixas, vingativas, de brasileiro médio metido a esperto só porque corta o congestionamento pela direita, fura a fila do pão, entra no elevador antes das pessoas saírem e acha graça em entrar de penetra, o país é uma vergonha.

Ok, o problema nacional pode ser desvio de caráter, mas o do Festival de Gramado é falta organização. Nenhum malandrinho entraria sem pagar se houvessem catracas, seguranças ou qualquer outro veta-golpe. E outra:

QUEM LIGA PARA O FESTIVAL?

A Governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, imersa em escândalos e afogada em falta de popularidade, abriu com pompa o evento. Nelson Sirotsky, filho de Maurício Sirotsky Sobrinho e Proprietário do Grupo RBS, fez discurso solene. Ex-presidentes do Festival e o patrono Washington Olivetto preencheram a bancada. O dono da W/Brasil mostrou que o comercial da Valisere, do primeiro sutiã, ainda hoje serve de inspiração para campanhas de todo o mundo e vez ou outra é lembrado por personalidades nacionais. Com slides em inglês, "aproveitados de uma palestra dada em Londres", Olivetto destacou a "inovação" das novas campanhas da W/Brasil.

Nada muito genial. Uma ação aqui, uma coisa tecnológica ali, uma guerrilha acolá, e vejo a maior agência da história no mesmo patamar de qualquer boutique de criação em Roraima. Claro que com mais dinheiro, clientes mais receptivos e um proprietário famoso, mas a mesma essência, com a tal "inovação" que já está sendo feita por todo mundo.

Interessante mesmo nesse dia foi saber que o William Bonner é publicitário, e pasmem, trabalhou como redator. O apresentador apareceu em um telão, em plena bancada do Jornal Nacional, para remotamente receber um prêmio desconhecido. Já Marcelo Serpa, que estava cotado para fazer a palestra de encerramento, também deu as caras só pelo telão, justificando a ausência por estar de férias. Nem precisava se explicar, quem segue o twitter dele sabe muito bem que ele estava na Índia. Aliás, Marcelo, se eu fosse você, desligaria o MacAir e iria descansar de verdade.

Além de palpitar em O Aprendiz (com sugestões que o Justus nunca segue) e trabalhar no Grupo Newcomm, Walter Longo serve para dar ótimas palestras. Sem dúvidas o mais comentado e admirado do evento, ele foi aplaudido de pé. Provando ser muito mais que um jurado dos tempos modernos, que um Pedro de Lara ou uma Sônia Lima com cargo de executivo, ele criticou, exemplificou e fez uma apresentação verdadeiramente interessante e inovadora.

Profissionais estrangeiros e de agências da moda também discursaram para a massa majoritariamente estudantial: muitos de AllStar, Adidas, óculos aro grosso, enfeitados de clichês visuais do mundo publicitário, mas em grande parte, realmente interessados em aprender, inovar e vender a própria dignidade a preço de banana.

E o pior: O destino de todos eles é cair nas doces páginas do Vamos Falar Mal.

Logo mais, ou semana que vem, um post com fotos e vídeos do evento.

4 comentários:

  1. Acho que faltou falar de quantas vezes o senhor conseguiu ficar bêbado em terras congeladas.

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  2. aguarde o próximo post!

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  3. Não sou jornalista nem advogada, mas penso que essa questão merece maior reflexão, até porque já se fala em desregulamentar outras profissões. Se a má qualidade dos cursos universitários (ou mesmo técnicos) for a justificativa para a desregulamentação de uma profissão, então uma das primeiras a ser desregulamentada deveria ser a de advogado... Como quase todos os concursos públicos hoje exigem conhecimentos razoáveis de Direito, os cursos proliferaram de tal forma que se perdeu o controle e muita gente saiu formada "adevogado" por aí... gente que também não sabe escrever, se bobear não sabe assinar o próprio nome. E a profissão foi desregulamentada por isso? Não. O que a OAB tem feito, junto com o MEC, é desregulamentar os "botequins" que se diziam faculdades, além de criar outros mecanismos de avaliação dos formandos.
    E se as pessoas estão chegando despreparadas às universidades, isso é fruto da má qualidade do ensino ministrado até o 12º. ano... seguindo a mesma lógica: e se agora caísse a exigência de se saber ler para qualquer profissão?
    Fazendo um paralelo à minha profissão - engenharia civil - toda boa obra começa com uma boa avaliação da situação atual e a análise das alternativas mais adequadas, seguido de bom projeto e bom planejamento e, por fim, por uma boa execução. E mesmo a melhor das obras deve sofrer manutenção periódica, para que se mantenha funcional e segura. Penso que toda boa formação, melhor ainda, todo o ensino deveria seguir o mesmo caminho...
    No Brasil, infelizmente, constrói-se as coisas - inclusive o sistema de ensino - e usa-se e abusa-se até a ruína completa... para depois contruir outra coisa do lado, paliativa, quebra-galho.
    Radicalizando... muitos ditadores também fecharam congressos com o argumento de que eles não eram operacionais...

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  4. Belíssima opinião, NManar. Queria eu ter feito engenharia civil, mas não teria conseguido me formar, com esse cérebro que mal calcula 1+1.

    E concordo que o que eu disse não é nada válido. Eu não sugeriria nada disso para um plano de governo, por exemplo. Foi mais um desabafo mesmo. Talvez defendendo os extremos, façamos com que seja atingido um ponto ideal no ensino. Mas talvez o único jeito de resolvermos isso seja mudando toda a estrutura da nossa sociedade.

    Enfim...

    Ah, você comentou no post errado, hehe.

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